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sábado, outubro 16, 2004


Quanto você paga por um pouco de Carinho? (Rosana Braga)

Num primeiro momento, tendemos a responder: "claro que nada!!!".
Será?
Incrível como a carência afetiva tem se transformado numa verdadeira
epidemia.
Vivemos em um mundo onde tudo o que fazemos nos induz a "ter"
cada vez mais.
Um celular novo, um sapato de outra cor, uma jaqueta
diferente, uma viagem em suaves prestações...
E enquanto isso, nos sentimos
cada vez mais vazios.
Nossa voz interna faz um eco que chega a doer; e tudo
o que realmente nos faria sentir melhores seria "apenas" um pouco de
carinho.
A carência é tão grande, a sensação de solidão é tão forte que nos
dispomos a pagar por companhia, por uma remota possibilidade de conseguir um
pouco de carinho.
Eu sei, você vai dizer: "de forma alguma, eu nunca saí
com uma garota ou um garoto de programa;
jamais pagaria para ter carinho"!
Pois é, mas não é de dinheiro que estou falando.
Não se trata desta moeda.
Estou falando das escolhas que fazemos, indiscriminadamente, em busca de
afeto.
As relações sexuais fáceis e fugazes, a liberação desenfreada de
intimidade, a cama que chega nas relações muito antes de uma apresentação de
corações...a rapidez com que "ficamos", com que beijamos na boca, demonstra exatamente o quanto pagamos.
Ou, ao
contrário de tudo isso, a amargura e o mau-humor que toma conta daqueles que
não fazem nada disso, que se fecham feito ostras, criticando e maldizendo
quem se entrega, quem transa, quem sai em busca de afeto a qualquer preço...
Enfim, de uma forma ou de outra, estão pagando pelo carinho que não dão e
pelo carinho que, muitas vezes, não se permitem receber.
Ou seja, se sexo
realmente fosse tão bom, poderoso e suficiente quanto prometem" as revistas
femininas, as cenas calientes das novelas ou os sites eróticos, estaríamos
satisfeitos, não é? Mas não estamos, definitivamente não estamos!
Sabe por
que?
Porque falta conteúdo nestas atitudes, nestes encontro .
Não se trata
de julgamento de valor nem de pudor hipócrita.
Trata-se de constatação, de
fato!
Muito mais do que orgasmos múltiplos, precisamos urgentemente de um
cafuné, de um abraço que encosta coração com coração, de um simples deslizar
de mãos em nosso rosto, de um encontro de corpos que desejam sobretudo fazer
o outro se sentir querido, vivo.
Tocar o outro é acordar as suas células, é
evivescer seus poros, é oferecer um alento, uma esperança, um pouco de
humanidade, tão escassa em nossas relações.
Talvez você pense: mas eu não
tenho ninguém que esteja disposto a fazer isso comigo, a me dar este
presente.
Pois é.
Esta é a matemática mais enganosa e catastrófica sob a
qual vivemos.
Quem disse que você precisa ter alguém que faça isso por
você?!?
Não!
Você não precisa, acredite!
De pessoas à espera de soluções o
mundo está farto!
Precisamos daqueles que estão dispostos a serem "a"
solução!
Portanto, se você quer transformar a sua vida num encontro
amoroso, torne-se o próprio amor, o próprio carinho, a própria carícia.
Torne-se a diferença na vida de pessoas, do maior número de pessoas que
conseguir.
A partir de hoje, ao invés de sair pra balada dizendo que quer
"beijar muuuuito", concentre-se na sua capacidade de dar afeto e
surpreenda-se com o resultado.
Recebi, hoje (certamente por sincronicidade
do Universo) um texto de um leitor meu sobre "cuddle parties", a nova onda
em Nova Iorque.
Pessoas acima dos 30 anos pagam até 30 dólares para
participar de uma festa onde os convidados se abraçam, se tocam sem a
intenção de sexo (aliás, sexo é proibido nesta festa).
Meu Deus, que coisa
horrível não ter alguém ao seu lado que você possa tocar, que você possa
acariciar.
Sabe, a gente tem medo de dar carinho e ser rejeitado, de tocar o
outro e ser chamado de "pegajoso".
E não estou falando de tocar estranhos,
não...
Estou falando de tocar amigos, familiares, pai, mãe, irmão, marido,
esposa,namorado.
Estou falando de afeto com aqueles que, teoricamente, são
os mais próximos de nós, aqueles que em nossa agenda colocamos o nome para
serem avisados caso algum acidente aconteça conosco.
Sugiro que, a partir de
hoje, você comece a se tornar uma pessoa carinhosa,
no jeito de falar, no
jeito de ouvir, no jeito de chegar e de sair...
Faça um cafuné em alguém que
você gosta.
Você vai se sentir um pouco estranho, talvez o outro sinta até o
coração disparar e pense "nossa, o que eu faço agora, o que eu digo, o que
está acontecendo"?
Mas não desista!
Dê carinho, mais e mais...
Se você gostou do texto, deixe o seu comentário no mural ou no livro de visitas...
Obrigada pela visita de sempre!!! Bjokasss